Primeiramente, gostaria que todos aqueles que não acompanham meu blog, lessem as postagens anteriores, mas como sei que ninguém vai fazer isso, vamos para o assunto da vez que é Sublimação. Não estou falando da passagem da água do estado sólido para o gasoso, nem de nada que envolva química, mas sim de um mecanismo de defesa, segundo a psicanálise, descoberto por Sigmund Freud. Tal mecanismo consiste no modo que utilizamos para afastar idéias (principalmente sexuais) que nos incomodam, ou seja, quando criamos coisas socialmente aceitáveis (pintar, escrever, dançar, estudar, expressar artísticamente, zuar, fazer piadas, etc) para desviar pensamentos perturbadores.
Para melhor demonstrar o que é sublimação, nada melhor do que usar como exemplo um dos meus favoritos personagens do cinema: Lester Burnham. Interpretado por Kevin Spacey, esse indivíduo tem passado por situações difíceis e complicadas (principalmente com sua mulher e sua filha) envolvendo problemas trabalhistas, familiares, sexuais, morais e sociais. Para aliviar a tensão desses problemas, Lester começa a "sublimar", então entra em constante luta contra o conformismo fazendo tudo aquilo que sempre quis fazer, mas não fazia porque era moralmente ilegal. Dessa maneira o protagonista realiza vários de seus desejos e se sente cada dia mas jovem, saudável e sábio. As grandes realizações de nosso herói está no filme Beleza Americana (American Beauty 1999) de Sam Mendes, vencedor do Oscar em 2000.
O fabulosíssimo escritor português Fernando Pessoa, criou vários heterônimos. Sublimando dessa forma, tal poeta conseguiu viver como várias outras personalidades e também expressar seus mais diversos pensamentos. Entre os heterônimos mais famosos, podemos destacar aqueles que todos já estudaram um dia para o vestibular: Ricardo Reis, Álvaro de Campos e o meu favorito Alberto Caeiro. Tão forte foi esse mecanismo de sublimação, que o autor conseguiu (através do último heterônimo citado) criar uma Filosofia Anti-filosofal, e mostrar a genialidade de questionar valores e não pensar em nada. Abaixo está o poema Tu, místico de Alberto Caeiro que mostra muito bem como é esse pensamento.
Tu, místico, vês uma significação em todas as cousas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma cousa oculta em cada cousa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra cousa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as cousas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma cousa é não significar nada.
Ser uma cousa é não ser susceptível de interpretação.
Durante a década de 70, Tony Wilson era inicialmente apresentador de um programa de TV sobre bandas punk, mas depois de ter passado por cima de vários obstáculos se tornou um grande ídolo e realizador de algumas inovações dentro do mundo da música. A sublimação de Tony foi tão elevada, que fez com que criasse a Factory Records, e como conseqüência virasse produtor das bandas Certain Ratio e Joy Division. Além do mais, ele também foi fundador da discoteca Hacienda (que alguns afirmam ser o início do movimento Rave), produtor da banda Happy Mondays e com a morte do vocalista Ian Curtis, manteve os membros de Joy Division e formou o tão idolatrado New Order, dessa vez com o guitarrista Bernard Summer nos vocais.
Um filme que retrata bem as realizações de Tony Wilson e as transições musicais que se passaram no final da década de 70 para a de 80 é 24 Hour Party People.
As férias estão chegando, o verão também, e depois de todas essas informações, a intenção é deixar o simples delírio aflorar, nostalgiar, não perder tempo e se pior não pode ficar, o negócio é sublimar!!!
Sublimando assim, me sinto muito bem, saudável, feliz, vivo e com toda energia correndo em minhas veias. Até mesmo comparo minha disposição com a de um adolescente de 15 anos em que as baladas eram os únicos objetivos, e o sentido da vida se resumia em letras animadoras de popstars. Atualmente os adolescentes tem tendência a gostar de popstars como Rihanna, Ashley Tisdale, Hillary Duff, Vanessa Hudgens, Miley Cyrus, Pussycat Dolls, mas como sou eu que estou me sentindo adolescente, termino a postagem com o vídeo de 2 popstars de minha época: Robbie Williams e Kylie Minogue, juntos, na música Kids.
SO COME ON....... JUMP ON BOARD, TAKE A RIDE!!
YEAAAAAAAAAAHHHHHHHHH


4 comentários:
Sublimar, sublimar! Excelente post, meu caro. Eu penso que todo escapísmo traduzido para a realidade se transforma em sublimação. Afinal, estamos fazendo o que queremos, e não apenas imaginando. E se for para ser pop, que seja anos 80, por favor. rá!
E Lester Burnham comanda. Tenho muito dele, e tbm do Ricky Fitts.
Abraços!
PS: Sim, fui eu que criei aquele texto. Se identificou? Eu também.
Mano.. esse post ta foda.
Se você pensar nesse lance de sublimação pode-se concluir q toda forma de escapar da dor é sublimação.
Freud já era...
Arranje alguém melhor que discuta sexualidade...
Diria que esse blog tem uma receita muito interessante...você deve ter usado:
1 xícara de pensadores,
1 litro de livros, vídeos e músicas,
1 kg de psicologia + de história,
1 copo americano de crítica e
1 pitada de sentimentos e bom senso...
Misturou tudo isso numa cabeça pensante e delirante...
Colocou essa mistureira numa forma, chamada palavras....e serviu a todos os amigos essa sobremesa...
Obrigada...estava muito boa... com a dose certa de cada coisa...
Analogias dão asas...
Parabéns =)
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